Um diario, tentando expressar sensacoes, pensamentos. Sentimentos tentando ser traduzidos. Textos, vida, diário, poesia. Um pouco de mim.







Final de semana, Iwan e eu decidimos fazer algo diferente. Vamos para o Buraco? Vamos. Convidamos alguns estudantes, que disseram que iriam, mas não apareceram. Fomos os dois. Destino: Buraco.
O Buraco é uma praia que se vê de Ramiro, a vilazinha que fica a 4 km da escola. Mas para chegar lá só há duas possibilidades, a seca e a molhada, ou seja, atravessando o mangue numa linha reta ou contornando toda a península. Decidimos pela segunda opção, a seca.
Saímos às 17 horas no sábado, andamos 6 km e paramos para dormir na praia. Existem umas cabaninhas de palha, que são alugadas para os turistas que querem se esconder do sol, dormimos embaixo de uma delas.
Dia seguinte de manhã, matabixamos e começamos a caminhada para o Buraco. Andamos durante toda a manhã para chegar lá. O caminho é muito bonito, tem coqueiros, tem o mangue, tem uma certa melancolia nas casas abandonadas, nas carcaças de carros.
Aqui em Angola é incrível o número de carros ou suas carcaças abandonados nos cantos das estradas, nas ruas. Comecei a tirar fotos de todos que encontro. Vou fazer uma exposição quando chegar ao Brasil (rs). Também casas abandonadas, casas que estavam sendo construídas, grandes, bonitas até, mas completamente abandonadas.
Chegamos ao Buraco, uma vila bem simples de pescadores, com mais ou menos 1200 habitantes. Casas de palha, vários barcos, a água para beber é do mangue, ou seja, salubre.
Encontramos uma ex-aluna da EPF, Selma. Ela foi da primeira turma, da escola onde eu estou voluntariando, em 2000. Na verdade ela iniciou o curso na escola de Caxito, a 60 km ao norte de Luanda, mas houve um ataque da UNITA, onde eles levaram todas as 60 crianças da “Cidadela das Crianças”(projeto da organização com crianças órfãs) e mataram um professor ali, na frente de todos. Graças a Deus, todas as crianças foram recuperadas 2 meses depois, em Uíge, que fica no Norte do país. Fizeram o percurso todo a pé.
Mas voltando a Selma. Ela nos contou o quão importante foi a educação que ela teve na EPF e que aprendeu lá que homens e mulheres tem os mesmos direitos. Disse que no começo o marido ficava bravo quando chegava em casa e ela já tinha pregado quadros ou trocado lâmpadas, pois isso é trabalho de homem. Atualmente trabalha como professora primária, pois acredita que se deve investir na educação para que Angola cresça socialmente. Fiquei muito feliz em tê-la encontrado e ver que realmente há pessoas com um interesse na sociedade em geral e no desenvolvimento de Angola.
O mar no Buraco é lindo, grande, a praia é extensa. Pescadores trabalhando, crianças correndo. Muito bonito.
Iniciamos a caminhada da volta e paramos em uma das casas abandonadas para comer, e depois andamos, andamos, andamos. Foram um total de 24 km. Chegamos de volta as 17 horas do domingo.
Foi realmente uma sensação de paz, de cansaço bom. Uma espairecida e mudança do cotidiano, renovação.